terça-feira, 18 de novembro de 2014

Secretaria propõe mensagem contra o racismo no uniforme de times

Audiência pública no Senado discute racismo no futebol (Foto: Paulo Melo/G1)

Ideia é utilizar frases ainda em novembro, mês da consciência negra.

Audiência no Senado nesta segunda (17) discutiu racismo no esporte.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH) realizou na manhã desta segunda-feira (17) audiência pública para debater o racismo sofrido por jogadores negros nos campos de futebol. Durante a audiência, o ouvidor da Igualdade Racial da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Carlos Alberto Júnior, disse que sugeriu aos clubes que coloquem frases contra o racismo em seus uniformes.

"Uma das sugestões que fizemos aos clubes é que nesse mês de novembro, mês da Consciência Negra, eles possam adesivar suas camisas dizendo não ao racismo, para que façam que a torcida e o futebol entendam que no pais é inaceitável esse tipo de crime", argumentou.

Após a audiência pública, o ouvidor afirmou que está confiante que os clubes aceitem a proposta. "Saímos dessa audiência com a esperança de que isso possa se efetivar dentro dos clubes", concluiu.

Na audiência, os debatedores lembraram do caso de racismo contra o goleiro do Santos, Aranha. Em agosto, o atleta foi chamado de "macaco" por um grupo de torcedores do Grêmio em jogo válido pela Copa do Brasil. Na ocasião, Aranha denunciou os torcedores e chegou a afirmar, em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, que tinha "dó" da torcedora gremista que foi flagrada por câmeras o insultando.

Para a assessora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Deise Benedito, casos como o de Aranha só acontecem porque os infratores não são julgados como deveriam. Ela também afirmou que não foi só o goleiro santista que foi chamado de macaco "mas todos os negros do mundo".

"Quando os torcedores chamam um jogador de macaco, é porque eles têm certeza da impunidade", afirmou.

"A ofensa passa pela impunidade. E punir não passa necessariamente pela prisão, mas por medidas pedagógicas para que a pessoa tenha consciência do erro praticado", completou Deise.

O senador gaúcho Paulo Paim (PT) afirmou durante a audiência que os episódios de racismo "mancham a história do esporte" e que significam um "retrocesso" quando se fala em descriminação racial nos campos de futebol.

Participaram do debate, além de Carlos Alberto Júnior e Deise Benedito, o vice-presidente do Grêmio, Adalberto Preis; o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, José Carlos Torves; o integrante da Comissão Especial de Direito Desportivo do Conselho Fedral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Ronaldo Ferreira Tolentino; e o diretor regional dos Consulados do Esporte Clube Internacional, Alexandre Santos.

Foram convidados a participar da audiência mas não compareceram o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin; o presidente do Santos, Odílio Rodrigues Filho, e o presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista.

fonte:  G1

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